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A boa oportunidade de negócio é que gera o crédito

10/02/2025

Ricardo Brito, da DesenvolveSP:

No Brasil, 93,4% dos negócios se enquadram como microempresas ou empresas de pequeno porte, segundo o recém-divulgado Mapa de Empresas do Governo Federal. Mas essa massa de empreendedores, que gera emprego e movimenta a economia, ainda enfrenta uma série de dificuldades em seu dia a dia, entre elas, de acesso ao crédito.  

Os grandes bancos costumam restringir os recursos a esse público, que nem sempre consegue oferecer as garantias exigidas como contrapartida pelo empréstimo. Mas há alternativas, como as agências de fomento, a exemplo da DesenvolveSP, do Governo do Estado de São Paulo, que tem linhas específicas para pequenos negócios. A proposta da DesenvolveSP, segundo Ricardo Brito, presidente da agência, é democratização o acesso ao crédito.

Professor licenciado da FEA-USP e doutor em Economia com especialização em Finanças, Brito diz que seu objetivo é permitir que o empreendedor de São Paulo que tenha um bom projeto consiga colocá-lo em andamento. "Queremos que as empresas paulistas sejam cada vez mais produtivas, competitivas e, assim, possam gerar mais emprego e renda para o Estado." 

Lastreado por um fundo garantidor, o que dispensa o empresário da apresentação de garantias para obtenção do crédito, a DesenvolveSP oferece 19 linhas voltadas ao investimento e inovação, com carência de 36 meses, juros a partir de 4,2% ao ano e prazo médio de 10 anos para quitação, o que, segundo Brito, permite ao empreendedor abrir sua empresa, faturar e reembolsar a DesenvolveSP. 

Mesmo com essas facilidades, Brito reforça que um bom plano de negócios aumenta a probabilidade de obtenção do crédito e reduz o risco de inadimplência. Segundo ele, a análise prévia, feita por consultores especializados, ajuda a liberar o montante necessário de forma mais fácil (em torno de um mês). "O que os empreendedores precisam saber é que não é o crédito que gera a oportunidade de negócio, mas a boa oportunidade de negócio é que gera o crédito."

Como exemplo, ele cita uma gráfica de Bragança Paulista que buscou recursos na DesenvolveSP para investir em geração de energia fotovoltaica: ela reduziu a conta de energia em 90% e prevê terminar de pagar o que emprestou em cinco anos, metade do prazo projetado inicialmente.

"É fundamental que esse crédito seja um investimento, não um socorro de liquidez em que o empreendedor pode se enforcar", diz. 

Hoje, a DesenvolveSP tem R$ 1,2 bilhão em caixa para emprestar, inclusive na linha Desenvolve Centro, direcionada a quem pretende investir ou melhorar empreendimentos e até para projetos de retrofit em imóveis localizados na região histórica da Capital paulista.

"Buscar crédito não é sinal de má-gestão, é um dinheiro usado em um projeto que vai gerar retorno, como investimento. E é isso o que a gente quer desmistificar."

 

fonte: Diário do Comércio